
LIBERTADORES
2012:
INTERNACIONAL VENCE O
ONCE CALDAS PELO PLACAR MÍNIMO E DECIDE VAGA FORA DE
CASA

INTERNACIONAL 1 X 0 ONCE
CALDAS
Imagine como seria iniciar o ano no
próprio estádio com uma decisão diante de 40 mil torcedores
ensandecidos. Acrescente isso com a disputa de Libertadores, a
competição mais desejada pelos gaúchos. Foi o que aconteceu na
noite desta quarta-feira no Beira-Rio, quando o Inter conseguiu se
sobressair diante dos colombianos do Once Caldas e venceu a partida
por 1 a 0.
Tudo isso com direito a atuação de luxo de D’Alessandro, que
ainda não tem a participação garantida no jogo de volta. O
argentino foi o maestro do time vermelho, criador das jogadas
ofensivas e destruidor do sistema tático adversário. Leandro Damião
marcou o gol da vitória.
Foram apenas os 90 minutos do
primeiro duelo que irá classificar uma das equipes para a fase de
grupos da competição. O segundo confronto será na próxima
quarta-feira, na altitude de 2,2 mil metros de Manizales, na
Colômbia.
Leandro Damião e D'Alessandro
comemoram o gol (Foto: Alexandre Lops / Divulgação
Inter)
Capitão D’Ale
Era a noite de D’Alessandro. Com a braçadeira de capitão, foi
o primeiro colorado a ingressar no gramado, sob coro estridente da
torcida presente nas arquibancadas: “Fica,
D’Alessandro”.
O gringo deu a resposta dentro de campo. Centralizado, mostrou
porque o sistema tático de Dorival Júnior, o 4-2-3-1, foi
construído em cima da qualidade técnica do camisa 10. Ainda no
primeiro minuto, cruzou da ponta esquerda e, por detalhe, Rodrigo
Moledo não conseguiu complementar. Mais do que nunca, estava a fim
de jogo.
O Inter era agudo. Era como um vizinho chato que rondava a porta do
gol adversário a todo instante. D’Ale dava as cartas, era o
cérebro, o articulador de tudo. Com um toque por cobertura, por
cima da zaga, achou Damião. Esperto, o centroavante serviu Oscar.
No entanto, com o gol vivo à frente, o garoto desperdiçou a chance
ao disparar por cima.
Assim como D'Alessandro, Damião também estava à vontade. Aos oito
minutos, perdeu o controle da bola na área e tentou de bicicleta,
para fora.
O time visitante era corajoso. Mesmo sob pressão, seguia com três
atacantes, mas cedia espaços. Em uma arrancada de Pajoy, o
principal jogador do time, Índio travou o colombiano com falta. Da
intermediária, Cuero testou Muriel com um cartão de visitas. Bem
postado, o goleiro colorado não encontrou dificuldades para
defender.
O gol não demorou a surgir. Aos 11
minutos, Damião recebeu passe rasteiro primoroso de
D’Alessandro, é claro. Cara a cara com Martinez, aplicou um
toque sutil no canto esquerdo. Na comemoração, o centroavante
goleador se atirou de costas no gramado. Estava de bem com o gol,
com a torcida, com o mundo.
Bravo, o Once Caldas não estava morto. Progressivamente, avançava a
marcação, tentava assustar. E conseguiu, quando Núñez bateu cruzado
da meia direita. A bola foi em curva, com endereço. Mas Muriel se
lançou no canto para espalmar. Na sequência, Cuero arriscou de
longe, e acertou as redes pelo lado de fora.
O Inter cansava de desperdiçar chances. Aos 30, D’Alessandro
recebeu na intermediária e olhou exatamente onde iria mirar: era no
canto superior esquerdo. Mas com um tapa, Martinez evitou aquele
que seria o segundo gol.
Mal defensivamente, o técnico Pompilio Páez tentou ajustar o
sistema com o ingresso do zagueiro Alvarez na vaga do meia Henao.
Dessa forma, postou o time no 3-4-3. O objetivo era o de tentar
equilibrar a partida.
“Dramaticidade
prevista”
Na sexta-feira, o técnico Dorival Júnior havia falado em
“dramaticidade” para o duelo. O treinador previu um
jogo nervoso que acabou se demonstrando na segunda etapa, quando o
Once Caldas ganhou posse de bola.
Damião poderia ter garantido o placar e a vitória logo no começo da
segunda etapa. Quando tinha a posse quase na pequena área, perdeu
um segundo precioso para arrematar e viu a bola ser afastada.
D'Alessandro fez bela partida na
noite desta quarta-feira (Foto: Alexandre Lops / Divulgação
Inter)
E aí os colombianos cresceram,
pegaram confiança e partiram para cima. No entanto, encontravam
sempre uma defesa bem postada e só conseguiam levar com chutes de
fora da área. Foi assim com Cuero e González, em duas
oportunidades.
Dorival tentou mudar a equipe ao colocar Marcos Aurélio na vaga de
Dagoberto. Era um estreante no Beira-Rio por outro.
No entanto, Marcos Aurélio demorou a entrar na partida. Cometia
erros bobos, assim como outros companheiros. O Inter chegou a
mostrar dificuldade para sair jogando: entregava a bola de graça
para o time adversário.
Em um lance, Marcos Aurélio justificou o ingresso na etapa
complementar. De “gancho”, pifou Damião na área. Outra
vez, no entanto, o camisa 9 demorou para concluir e perdeu
ângulo.
O final da partida foi nervoso. Aos 38, Núñez arrancou suspiros da
torcida ao arrematar para fora, um rebote de fora da área. O
atacante colocou as mãos na cabeça, sabia que era uma das raras
oportunidades. Sem força, o Once Caldas não conseguiu mais chegar
com perigo.
Como saldo, o Inter viaja com a
Colômbia com a vantagem de não ter sofrido gol em casa. Mas resta
saber qual face colorada atuará em Manizales: o time organizado e
ofensivo da primeira etapa ou a equipe nervosa do segundo tempo?
Serão novos 90 minutos para definir o semestre vermelho.
FLAMENGO
PERDE DE VIRADA DIANTE O POTOSÍ

POTOSÍ 2 X 1
FLAMENGO
O Flamengo saiu na frente do placar,
teve fôlego para superar os 4.000 metros de altitude, mas não foi
capaz de conter o perigo que vinha do alto. Depois de fazer 1 a 0,
gol de Luiz Antonio, o Rubro-Negro caiu numa armadilha previsível:
as bolas aéreas. Com vacilos da zaga, o time foi derrotado por 2 a
1 pelo Real Potosí, nesta quarta-feira à noite, no estádio Victor
Agustín Ugarte, e está em desvantagem na disputa pela última vaga
no Grupo 2 da Taça Libertadores. Os dois gols, de Centurion e
Brittes, foram de cabeça.
O dia que começou festivo com o
anúncio oficial da contratação de Vagner Love terminou com uma
ducha de água fria.
A partida de volta está marcada para
a próxima quarta-feira, às 21h50m, no Engenhão. Os bolivianos vão
jogar por qualquer empate. Uma vitória por 1 a 0 é suficiente para
os rubro-negros. Se devolverem o placar da Bolívia, a decisão da
vaga irá para os pênaltis. Qualquer triunfo do Flamengo por um gol
de diferença, a partir de 3 a 2, dá a classificação ao Real Potosí
pelos gols marcados fora de casa.
O Flamengo volta a jogar no próximo
sábado, pelo Campeonato Carioca, contra o Macaé. Assim como na
estreia, Luxa vai escalar uma equipe formada por reservas e
garotos. O confronto será no estádio Cláudio Moacyr, em Macaé, às
17h (de Brasília).
O Real Potosí não terá qualquer
compromisso antes da partida decisiva. A estreia da equipe no
Campeonato Boliviano, inicialmente marcada para o dia 29, foi
adiada para fevereiro. O classificado vai entrar no Grupo 2, que
tem Emelec-EQU, Lanús-ARG e Olimpia-PAR.
Fla sai na frente, mas vacila na
defesa
A participação do Flamengo na fase preliminar da Libertadores se
iniciou com um susto. Logo no começo do jogo, o árbitro Líber
Prudente anulou gol de Brittes, que cometera falta em Felipe. O
Rubro-Negro começou sendo traído pela velocidade que a bola ganha
na altitude e errou passes em demasia, algo comum na última
temporada. Com um meio-campo com quatro volantes (Airton, Willians,
Luiz Antonio e Renato), o time não mostrou qualquer
criatividade.
O Potosí teve a primeira chance em
chute de longe de Eduardo Ortiz, mas Felipe entrou em ação. Seria
apenas a primeira de uma série de seis defesas difíceis na partida.
O goleiro voltou a aparecer bem em cobrança de falta de Centurión.
Ronaldinho Gaúcho percebeu a dificuldade da equipe na saída de bola
e pediu ao camisa 1 que evitasse os chutões para que zagueiros e
volantes saíssem jogando.
Na primeira finalização do Flamengo, Renato arriscou de longe e
assustou o goleiro Henry. Em seguida, Deivid chutou rasteiro, um
pouco desequilibrado, mas com perigo. O Rubro-Negro até teve mais
posse de bola, com Ronaldinho tentando voltar para armar as
jogadas. Mas o resultado ofensivo foi quase zero. Mesmo assim, na
arquibancada, a torcida do Leão das Alturas mostrou-se preocupada e
silenciou.
No entanto, o time da casa conseguia
finalizar mais - e sempre com chutes de fora da área, como uma
finalização de Pool que passou por cima do travessão.
Mesmo mal, o Rubro-Negro foi mais
eficiente. Aos 29 minutos, Léo Moura invadiu a área, deu dois
dribles desconcertantes no adversário e rolou para Luiz Antonio,
perto da marca do pênalti, fazer 1 a 0. Primeiro gol do volante
como profissional do clube em 14 jogos. Na comemoração, Léo foi
muito festejado pelos companheiros. Durante os oito dias de
preparação em Sucre, o camisa 2 se destacou pelo vigor físico e
qualidade técnica.
Luiz Antonio comemora seu primeiro
gol como profissional (Foto:Alexandre Vidal/Fla
Imagem)
Mas os brasileiros mal conseguiram
comemorar. Depois de bola alçada na área, a zaga parou, Felipe não
saiu, Willians não acompanhou, e Centurión, de cabeça, empatou a
partida, aos 31.
Ainda no primeiro tempo, começou a
chover, e a temperatura caiu para aproximadamente cinco graus. O
Potosí se animou e teve nova chance. Felipe evitou o gol de
Ortiz.
Ronaldinho teve atuação discreta e
só apareceu bem no fim da primeira etapa, quando conseguiu uma
finalização e um bom passe. O camisa 10 e Deivid passaram todo o
primeiro tempo muito distantes um do outro e chegaram a discutir
sobre posicionamento no fim da etapa inicial.
Antes do intervalo, o time boliviano
chegou bem novamente. Felipe salvou outra vez. O Potosí conseguiu
11 finalizações contra apenas quatro do Rubro-Negro. Mas o time de
Vanderlei Luxemburgo levou a melhor na posse de bola: 54% contra
46%.
Zaga também falha no segundo
gol
No início do segundo tempo, o Potosí
seguiu alçando a bola na área rubro-negra. O ataque rubro-negro não
funcionava, Renato errava passes simples, enquanto Luiz Antonio
aparecia para encostar no ataque. O lado direito do Fla se mostrava
mais ativo, com Willians, Luiz Antonio e Léo Moura.
O Flamengo recuou muito antes do
gol, deu campo aos bolivianos e acabou punido. Aos 12 minutos, a
equipe boliviana novamente se aproveitou da fragilidade da zaga
rubro-negra na bola alta. Rivero teve total liberdade para olhar
para a área e cruzar. Mal posicionado, David Braz deixou Brittes
livre para cabecear e virar o jogo: 2 a 1.
Negueba e Bottinelli entram, e R10 joga
adiantado
Vanderlei Luxemburgo tirou Airton e
Deivid para as entradas de Bottinelli e Negueba, respectivamente.
As mudanças surtiram pouco efeito. Ronaldinho, que no primeiro
tempo participou mais da armação das jogadas, foi deslocado para o
ataque e pouco produziu, sumindo em campo.
O Potosí seguiu com domínio do jogo
diante de um Flamengo sem reação, com pouquíssima criação de
jogadas pelo meio e sem conseguir finalizar.
O projeto Libertadores está em
risco. E o sinal de alerta, ligado.
Fonte:
globoesporte.com
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